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casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

casal mistério

Ele cozinha, ela viaja. Quando estão fora, testam e avaliam restaurantes, bares e hotéis. Quando se juntam em casa, escrevem sobre o que viram: o bom, o mau e o péssimo.

o novo puro 4050, o paraíso para quem gosta de mozzarella

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A primeira coisa que vê quando chega ao novo Puro 4050, no Porto, é o pão. Não é que a porta da entrada esteja enfeitada com uma coroa de papo-secos, é que a sala está inundada por um irresistível cheiro a pão quente, acabado de tostar, que lhe permite visualizar, de olhos fechados, cada migalha a estalar na sua boca ao mínimo contacto com os dentes.

Eu sei, posso estar a precisar urgentemente de tratamento psiquiátrico – é o que a minha querida Mulher Mistério não se cansa de me repetir – mas é mais forte do que eu. Passados alguns dias, ainda sonho com aquele cheirinho a pão quente a estalar-me na boca. E esse é o melhor resumo do Puro 4050. Inaugurado no Porto, no Verão passado, este não é bem um restaurante clássico.

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Dos mesmos donos do fantástico Cantina 32 – de que falei aqui –, o Puro 4050 tem a ementa dividida em duas grandes partes: petiscos italianos, quase todos com mozzarella, e meia dúzia de pratos mais a sério: carnes, massas e risottos. Como nós fomos lá almoçar em modo Família Mistério – que é o mesmo que dizer muitas bocas com ainda mais vontade de comer – optámos essencialmente pelos petiscos de mozzarella. E é aí que entra o pão: quente, tostado ou em forma de focaccia, é fundamental para acompanhar os petiscos. Mas já lá vamos. Antes é preciso falar de...

 

o melhor prato que já provámos este ano: as divinais cornucópias caramelizadas com recheio de sapateira, do rabo d'pêxe

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Não há nada melhor do que começar o ano com uma surpresa destas. E quando digo "destas" estou a falar de umas divinais cornucópias de sésamo com sapateira e maionese de kimchi. Eu sei que devia guardar o melhor prato para o meio do texto e assim criar suspense, mas isto não é um filme do Hitchcock – é o novo restaurante do chef Paulo Morais. E este é um dos melhores pratos que provámos recentemente. 

Trata-se de uns cones crocantes feitos com sementes de sésamo e levemente caramelizados. A bolacha é muitíssimo leve e ligeiramente doce, o que contrasta na perfeição com o recheio: uma pasta fabulosa de miolo de sapateira que ainda leva no topo um bocadinho de maionese de kimchi. A mistura do adocicado meio caramelo dos cones com o sabor a mar da pasta de sapateira é das melhores coisas que comi este ano (eu sei que o ano só começou há 11 dias, mas eu garanto-lhe que já comi muito). E o toque exótico da maionese de kimchi deixa-lhe uma vontade imensa de repetir esta entrada.

Agora que já desabafei, aqui vai o contexto: este prato é a estrela da ementa do Rabo d'Pêxe, um restaurante que abriu no final de 2015, em Lisboa, e onde eu já fui almoçar (veja aqui), mas que, desde o Verão, tem uma nova ementa e um novo chef: Paulo Morais, ex-Penha Longa, ex-Bica do Sapato, ex-QB e ex-Umai. E uma dessas novidades são estas fabulosas cornucópias que tem mesmo de provar. Mas há mais...

 

as melhores panquecas de 2016 estão no porto, num brunch que custa 6 euros

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Aviso prévio: este texto não é recomendado a cardíacos. Primeiro, por causa das panquecas. Umas panquecas que juntam banana, Nutella e mel não são propriamente o mais aconselhável para quem sofre do coração. Nem outras que juntam morango, chantilly e um topping de chocolate. Ou ainda mais umas com caramelo, bolachas Oreo e frutos silvestres. Ou até com maçã, mel e canela. Enfim, a escolha é grande, o coração é pequeno.

Em segundo lugar, o preço é impróprio para quem não esteja habituado a emoções extremas: pagar €6 por um brunch com panquecas, ovos mexidos com bacon, um latte e um sumo é de fazer palpitar qualquer coração mais fragilizado.

Finalmente, o serviço também o pode deixar à beira de uma taquicardia, mas isso por motivos menos honrosos: esperar 32 minutos por umas panquecas e uns ovos mexidos dá direito a entrar directamente para o top 3 dos melhores brunches em slow motion.

No entanto, eu sou capaz de esperar o tempo que for preciso para poder comer as maravilhosas panquecas do Diplomata, na Baixa do Porto. E agora que chegámos ao final de 2016, há que dedicar uns minutos a analisar este que é verdadeiramente um dos temas do ano.

 

o brunch com os ovos mexidos gelados do casinha boutique café

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– Eu vou querer um galão escuro, se faz favor.

– Galão não temos. Temos meia de leite.

– Mas eu queria mais quantidade. Não pode servir num copo ou numa chávena maior do que essa?

– Posso fazer um latte que é servido num destes copos de cartão maiores.

– Fantástico! É isso mesmo que vou querer.

– Mas o latte leva mais leite e menos café.

– E não é possível fazer o latte com mais café e menos leite? 

– Com mais café é a meia de leite.

– Mas eu queria mais quantidade...

– ...de leite? Então é o latte.

– Não. Mais quantidade de tudo. Queria um copo ou uma chávena maior.

– Então é o latte. Mas leva menos café.

Nesta fase da conversa, já tinha o batimento cardíaco ao nível da pulsação do Jorge Jesus em dia de derby. Ainda pensei que o facto de o empregado ser parecido com o Borat pudesse indiciar que eu estava a ser a estrela do próximo programa de apanhados da CMTV. Mas não. Estava simplesmente a pedir um brunch na Casinha Boutique Café, na Avenida da Boavista, no Porto.

 

loco, um restaurante michelin onde lhe trazem uma frigideira com molho de bife para molhar o pão

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Quando o telefone tocou, percebi definitivamente o perigo desta vida dupla que levamos:

– Estou? Temos um problema. Já chegámos ao restaurante e afinal, não temos mesa marcada!

A voz de pânico do casal de amigos que ia jantar connosco ao Loco, o novíssimo restaurante do chef Alexandre Silva, acabadinho de ser premiado com uma estrela Michelin, deixou-me à beira da apoplexia.

– Como não?! Ainda hoje me ligaram do restaurante a confirmar a reserva.

– Nada! Já dei o teu nome, já dei o nome da... (lamento, mas não posso reproduzir o nome) e nada.

Foi neste momento que uma luz desceu do céu para me iluminar.

– Ah… pois… A reserva deve estar noutro nome.

De facto, a ideia inicial era um jantar a dois. E, por isso, resolvi fazer a reserva num nome falso para não levantar suspeitas. Até aqui, brilhante. O problema foi ter deixado os nossos amigos chegarem antes de nós e perceberem que eu marco mesas em nome de Ermengardo Afonso.

 

já alguma vez imaginou jantar numa colorida cabana de pescadores, no centro de lisboa? então tem de conhecer o isco

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Primeiro, um aviso: se tem mais de um metro e setenta, pense duas vezes antes de se sentar num destes banquinhos castiços à frente de uma destas mesas de escola primária; se for o Luís Marques Mendes, então seja bem-vindo ao Isco, este restaurante foi feito a pensar em si. 

Agora, vou desfazer um dos grandes mistérios que acompanharam a sua vida ao longo dos últimos três anos: infelizmente, eu não sou o Luís Marques Mendes e por isso passei todo o jantar a tentar encontrar um sítio onde arrumar confortavelmente as minhas pernas de Cristiano Ronaldo. Levantei as pernas, estiquei as pernas, encolhi as pernas e não consegui encontrar uma única posição adequada ao meu alto e espadaúdo metro e oitenta e quatro.

Não se pode dizer por isso que tenha tido uma refeição extraordinariamente confortável. Em compensação, pode dizer-se com toda a segurança que tive uma refeição deliciosa de peixe e marisco que me custou menos de 30 euros.

Mas antes da comida, vamos às cadeiras.

 

wish, um dos novos melhores restaurantes para jantar no porto (e não, não tem só sushi)

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Tenho de fazer uma confissão séria e genuína: não sei bem por onde começar. Estou aqui sentado à frente do computador, triste e nostálgico, a pensar se comece por falar do pudim abade de priscos caramelizado que vem acompanhado por uma bola de gelado de Queijo da Serra deliciosa e por uma telha de amêndoa crocante. Ou se fale dos finíssimos raviolis de pato desfiado, com molho de foie gras e uma redução de Vinho do Porto por cima. Ou se descreva o carpaccio de veado, com um molho de queijo creme e raiz de rábano e umas bolachas de queijo crocantes. Ou se refira o deslumbrante sushi com manteiga de amendoim. Ou os cogumelos com trufas. Ou o sashimi de vieiras. Ou o paté de atum. Ou...

 

os deliciosos petiscos e a looooonga espera para jantar no novo bairro do avillez em lisboa

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Duas horas é o tempo que um aluno do ensino secundário demora a fazer um exame nacional de Latim.

Duas horas é o tempo de duração de um jogo de curling (se tudo correr bem, claro!).

Em duas horas, é possível celebrar dois casamentos, dá para jogar uma partida e meia de râguebi, consegue-se ir de Lisboa ao Algarve de carro.

Em duas horas, pode embarcar num avião no Porto e sair em Paris para comprar uns deliciosos queijos num mercado francês.

Mas, em duas horas, eu e a minha querida Mulher Mistério não nos conseguimos sentar numa mesa para quatro pessoas, numa sexta-feira à noite, na Taberna, do Bairro do Avillez, em Lisboa. Em bom rigor, demorámos duas horas e quatro minutos desde que chegámos com um casal amigo até que nos sentámos no novíssimo restaurante da moda em Lisboa.

O novo espaço de José Avillez é um projecto claramente ambicioso demais para quem quer manter um serviço minimamente adequado ao século XXI. E esse é o maior problema do Bairro do Avillez – porque a nível da comida ou da decoração o restaurante é uma maravilha.

 

 

este é um dos pratos mais deliciosos que comemos na vida (e custa €7,50)

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Jantar na Taberna da Rua das Flores a um fim-de-semana é um programa que começa durante a tarde. Tal como outros restaurantes de Lisboa, esta taberna minúscula mesmo ao lado do Bairro Alto, não aceita reservas. Ou melhor, não aceita reservas por telefone. Se quiser mesa, tem de passar por lá no próprio dia e deixar o seu nome enquanto olha, olhos nos olhos, para o empregado. Depois vai beber um copo calmamente e volta à hora marcada.

Não sei exactamente porque é que existe ali esta aversão ao telefone, mas a verdade é que, com uns 15 minutos de atraso, o esquema funciona. E mesmo que não funcionasse eu faria o que fosse preciso para provar o divinal picadinho de carapau salpicado com uns minúsculos e estaladiços camarões krill. Mas já lá vamos. Antes, é preciso prepará-lo para a logística.

 

il matriciano, un ristorante italiano dove non si parla portoghese*

"Prima si sente, dopo si mangia". Pode estar descansado que não vou escrever este texto todo em italiano. É só o lema deste simpático restaurante italiano que nos faz sentir que fomos almoçar ali a Roma e entretanto voltámos.

Chegámos e rapidamente percebemos que nenhum dos empregados fala uma única palavra de português. Não deixa de ter um certo charme mas convenhamos que, se não fosse a minha brilhante linguagem gestual, ainda lá estava a pedir o número de contribuinte na fatura. Mas já lá vamos. Vamos começar pelo princípio…

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novidade! novidade! o páteo do petisco vai abrir um novo restaurante junto à praia do guincho, em cascais

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Começou com um pequeno pátio no bairro da Torre, em Cascais, depois expandiu-se para o Mercado de Cascais, logo a seguir para o Palácio do Chiado, em Lisboa e, agora, vai chegar à Areia, perto da praia do Guincho.

O quarto espaço do Páteo do Petisco vai ocupar o lugar do antigo Rola na Areia, no Clube D. Carlos, ao lado do Parque de Campismo, perto do Guincho. Com uma simpática esplanada e um espaço agradável, ideal para as crianças correrem e brincarem, o novo restaurante vai chamar-se Páteo do Guincho e tem tudo para ser mais um sucesso.

 

chama-se el clandestino e é um dos mais surpreendentes restaurantes de lisboa (então os churros com doce de leite...)

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Há restaurantes para onde convém levar sempre uma camisolinha às costas por causa do frio; outros onde não se pode entrar sem um leque por causa do calor. No El Clandestino, não se esqueça de levar o megafone. Isto se quiser conviver verbalmente com os seus companheiros de mesa sem mal-entendidos. Entre música, gritos e gargalhadas das mesas à volta, fica difícil proferir qualquer palavra sem acabar a noite a falar como o Marlon Brando, no Padrinho.

Desde que abriu, em Novembro de 2015, que o El Clandestino se tornou um dos restaurantes mais procurados do Bairro Alto, em Lisboa. E isso tem consequências – o barulho e a confusão – mas também tem causas. E é para falar delas que estamos aqui hoje.

 

a melhor salada de polvo do país está na costa alentejana, à frente de um pôr-do-sol único

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Se eu fosse o Luís Pereira de Sousa, diria que este é um dos segredos mais bem guardados de Portugal. Mas como não digo, já tem menos um nome na bolsa de apostas para adivinhar a identidade deste seu pequeno Amigo Mistério. Seja como for, não estamos aqui hoje para falar de apresentadores de televisão dos anos 80 nem de bigodes farfalhudos à Zé Gato; estamos aqui, solenemente sentados à frente deste modesto computador, para falar da melhor e mais deliciosa salada de polvo do país. Que, por acaso, fica numa das melhores praias do país. Onde, por acaso, se vê um dos mais deslumbrantes pores-do-sol do país.

Agora que a expectativa está criada, posso finalmente fazer a revelação: estou a falar da salada de polvo do Bar dos Tigres, na praia Aberta Nova, em Melides, na costa alentejana. Mas o que é que pode tornar uma simples salada de polvo num fenómeno gastronómico tão relevante para a nação, pergunta muito avisadamente V. Exa.? O tomate descascado, respondo eu. Mas antes vamos a um breve intróito.

 

um dos restaurantes com mais charme do algarve: pizzas, ceviches e petiscos feitos com produtos da horta

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Este é um restaurante de detalhes. Primeiro a localização: estamos no meio de um pinhal, rodeados de árvores, pinhas e caruma, uma das paredes é totalmente feita de vidro – nos dias de vento está fechada, nos dias de calor está toda aberta, é como se estivesse a jantar no meio do pinhal. Depois a decoração: tudo foi pensado, desde a manteiga embrulhada em papel vegetal aos talheres entregues dentro de baldes de latão, passando pelas latas de conservas onde é servido o couvert. Finalmente a comida: o atum vem do mercado de Olhão, o patê é caseiro, a focaccia é cozida num forno a lenha à nossa frente e alguns dos ingredientes vêm da horta do hotel.

Mas há mais.

 

madmary, o almoço que acabou antes de começar

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Desde o dia em que, aos 9 anos, decidi lavar um quadro dos meus pais com uma inovadora mistura de água com lixívia que não via um tão fulminante arregalar de olhos. A experiência aconteceu na novíssima padaria de Lisboa, orgulhosa detentora de um dos mais adequados nomes da restauração lusitana. O MadMary Cuisine é uma mistura de padaria com restaurante de refeições rápidas e leves para o almoço.